Presidente quilombola nega chamar comunidade do Muquém de 'perus'
Dorinha Cavalcante diz que expressão mirava outro grupo que circulava pelo Muquém falando de política, não os moradores
12 de setembro de 2026 às 12:05 · União dos Palmares

A presidente da Associação Ádapo da Comunidade Muquém de Remanescentes Quilombolas, Maria das Dores de Oliveira Cavalcante, conhecida como Dorinha Cavalcante, divulgou nota de esclarecimento após a repercussão de um áudio atribuído a ela nas redes sociais.
Na gravação, Dorinha teria chamado moradores da Comunidade Quilombola Muquém, em União dos Palmares, de 'perus'. A liderança nega essa versão e afirma que a expressão foi usada para se referir a um grupo específico que percorria a comunidade em um contexto de disputa política.
O esclarecimento veio depois que o perfil União Polêmico divulgou um trecho do áudio, relacionando a fala a uma suposta tentativa de pressão sobre moradores quanto ao apoio político.
Procurada pelo BR104, Dorinha informou inicialmente que estava adotando as medidas judiciais cabíveis. Depois, apresentou uma nota detalhando sua versão sobre o episódio.
Na nota, ela contesta a interpretação de que teria se referido aos moradores do quilombo. Segundo Dorinha, sua declaração mirava um grupo que fazia abordagens e levava informações às famílias da comunidade em meio à disputa política.
Ela afirma que havia comunicado antes que faria um trabalho porta a porta na comunidade. Segundo sua versão, outro grupo circulava paralelamente pelo Muquém, também conversando com moradores sobre questões políticas.
Dorinha argumenta ainda que a expressão não deve ser analisada fora do contexto da conversa completa em que foi dita.
Na nota, ela reafirma respeito aos moradores e destaca sua atuação como presidente da Associação Ádapo. Segundo Dorinha, a entidade organiza atualmente as ações do Minha Casa, Minha Vida Rural, que atende 46 beneficiários da Comunidade Quilombola Muquém.
O perfil que divulgou o áudio sustenta que o conteúdo indicaria tentativa de intimidação de integrantes da comunidade quanto ao apoio a candidatos. Dorinha contesta essa leitura.
No trecho divulgado, ela chega a afirmar que 'ninguém é obrigado a votar em ninguém', mas também menciona que o grupo possui 'nossos candidatos', cujos nomes seriam apresentados depois.
Em contato com o BR104, Dorinha reafirmou que as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas diante da repercussão do episódio.
Na nota, ela pede que publicações sobre o caso apresentem sua fala dentro do que considera o contexto correto, argumentando que interpretações diferentes podem atingir sua honra, a atuação da associação e a imagem da comunidade quilombola.